Gamificar a burocracia: dissertação testa jogo dentro do Jira de uma fábrica CMMI Nível 5
Bruno Mello Andrade defende no PPCA/UnB, em 19 de outubro de 2026, uma dissertação que embute dez técnicas de gamificação no Jira e no Confluence de uma fábrica de software CMMI Nível 5 e mede, ao longo de doze meses, o que muda na governança de projetos.

Brasília, 20 de setembro de 2026
Em uma fábrica de software certificada em CMMI-DEV Nível 5, o processo é parte do produto: cada sprint carrega ritual de planejamento, atualização de backlog, controle de qualidade e auditoria. O efeito colateral é conhecido — a governança vira peso —, e o contrato que rege a operação impede compensar esse peso com incentivo financeiro. É nesse ponto que entra a dissertação que Bruno Mello Andrade defende em 19 de outubro de 2026, às 10h, no Módulo 14 do ICC Centro (subsolo), Campus Darcy Ribeiro, pelo Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada da UnB, sob orientação do Prof. Dr. Sergio Antônio Andrade de Freitas .
A aposta não é distribuir pontos e medalhas, é diagnosticar antes de desenhar. O Intrinsic Motivation Inventory (IMI) caracteriza o perfil motivacional de 12 profissionais em funções de liderança, esse diagnóstico prioriza os Core Drives do framework Octalysis, e só então dez técnicas de jogo são escolhidas. A implantação é igualmente deliberada: nada de plataforma nova. As mecânicas foram embutidas no Jira e no Confluence que a equipe já usava, com regras para descartar edições em massa e reaberturas artificiais.
O teste é um estudo de caso industrial de doze meses: 54 sprints, 22 de linha de base histórica e 32 de piloto gamificado. Os indicadores operacionais se movem pouco — vazão de 39,45 para 42,28 tarefas por sprint (+7,16%), atrasos de 11,75% para 9,98%, densidade de defeitos parada em 4,4%. O deslocamento expressivo está em outro lugar: o item de Pressão/Tensão do IMI cai de 2,83 para 1,92.
O achado é mais interessante que a promessa habitual da gamificação — o ganho mensurável foi tirar peso, não empilhar motivação — e vem com cautela: sem grupo de controle concorrente, o trabalho fala em associação, não em causa. Registra ainda um padrão exploratório que batiza de assimetria comportamental: a adesão às rotinas obrigatórias chega bem antes da adesão às ações voluntárias. Ao cruzar gamificação com qualidade de software na camada de liderança — e não na de desenvolvimento, onde a literatura se concentra —, a dissertação ocupa um espaço pouco documentado.
A banca será presidida pelo orientador, Prof. Dr. Sergio Antônio Andrade de Freitas (FCTE/UnB), e composta pelo Prof. Dr. George Marsicano Corrêa (FCTE/UnB) e pelo Prof. Dr. Paulo Miguel Torres Duarte Quaresma (Universidade de Évora). Parte dos resultados já circulou como artigo: Adaptive Gamification as a Software Process Analytics Instrument, de Andrade e Freitas, na QUATIC 2026, em Gênova.
O resumo completo está na página da defesa ; o texto integral irá para o Repositório Institucional da UnB após o depósito.
Sobre o CEDIS: O Centro de Estudos, Desenvolvimento e Inovação de Software (CEDIS), vinculado à Universidade de Brasília, pesquisa e desenvolve soluções inovadoras em software.
